5 minutos na minha cabeça
Não é que eu sinta que alguém vá de facto ler isto, a verdade é que quando escrevo- escrevo para mim própria. Não sei explicar a necessidade, ou sequer um mero superficial porquê mas hoje houve algo que me motivou a escrever, ou que simplesmente me expos alguma vontade de exprimir.
Hoje estou de folga e aproveitei o dia sobretudo para descansar uma vez que o meu trabalho e a vida em geral nos últimos dias tem sido carregada e pesada, não stressante mas de alguma forma extenuante a níveis físicos.
Ao longo do dia senti-me um misto de apática mas não desconfortável na totalidade, o que fez com que levasse ainda um pouco de tempo a preparar a minha cabeça, a acorda-la para assim dizer, para escrever.
Não consigo enfiar numa caixinha, num título pequenino ou comprido,tudo aquilo que quero por em palavras. Acho que estou desejosa apenas para por a publico o que me vai na cabeça.
Quero falar de tanto.. E quero começar pela compulsão que é tudo.
Não me recordo da primeira vez que senti isto, nem de quando fiz o clique de que a compulsão era algo contra a qual eu iria lutar contra toda a vida. A compulsão doentia (nome que atribui ao que sinto…) tem tido um papel negativamente vital na minha vida pois reflecte-se em tudo o que faço, gosto..
Todos os termos que ia desencantado para confortar o meu desconhecimento caíram por terra quando finalmente aprendi e justifiquei então imensos comportamentos- Sim, talvez haja em mim algum DAG (GAD- Generalized anxiety disorder) mas este certamente advém deste bicho que tem sido a compulsão. A compulsão manifestou-se quando insisti durante anos que só conseguia vestir preto, que só ficaria satisfeita com notas acima de 90%, que só ouviria um certo estilo de música ou que só me comportaria de certa forma… E isto coisas que ocuparam a minha pré e adolescência, anos em que devia ter vivido livremente a fim de progredir a minha personalidade. Todos estes limites que sem saber auto-impunha limitaram em muito a minha evolução e crescimento pessoal e sobretudo proibiram-me de demonstrar, expor, partilhar aquilo que eu realmente sou. Mas qual é a gravidade? Honestamente nem eu própria sei, e pode certamente soar a drama juvenil, mas de facto, a compulsão sempre me ocupou e preencheu, e a medida que fico mais velha esta toma proporções mais doentias e de certa forma perigosas.
Quando durante o secundário impus metas a níveis académicos muito altas, fui pintada como motivada, ambiciosa e tantos outros bons adjetivos que toda a gente adora ser associada a- se era boa estudante e se sou hoje uma otima profissional é em parte graças à compulsão. Acho que a compulsão acaba por ser um traço de personalidade, mas quando exagerada torna-se então doentia… Pois toda a gente via os meus sucessos mas ninguém via os meus ataques de pânico (e se viam não compreendiam) e tantas outras abominações que sentia. Ninguém percebeu o que sofri ao manter e arrastar por compulsão uma relação que me fazia a muito mal a níveis emocionais e certamente que culparam o amor - bullshit. Não era amor, era doença. Ninguém percebeu que o que me fez parar de comer foi a compulsão e certamente que ninguém ainda percebeu que estes 3 kg que engordei foi outra forma de compulsão- desta vez contrária à que me fez perder peso. De comer o equivalente a um prato de comida por dia para comer o que 3 pessoas comem, e não há meio termo, e não há controlo. Ninguém percebeu que passei duas semanas bêbeda, e outras três ou quatro absolutamente adormecida pois lá está, este bichinho obriga-me a ter o controlo total sobre algo que não escolho, a fazer coisas que não consigo explicar. A minha compulsão tem vida própria e às vezes sobrepõe-se à minha própria vida. A triste verdade é tenho lutado afincadamente para a balançar, para encontrar um equilíbrio, pois tal como disse acho que é um traço de personalidade que infelizmente sai exagerado. E nos últimos tempos eu achei que ela estava melhor, que tinha ido de férias… Confortável, voltei a ser eu mesma e em parte agradeço muito aos meus colegas de trabalho e ao meu trabalho- fazer o que gosto ajuda-me imenso a controlar a fera. Correr, sair, conviver também…
E sinto que todos os dias ando a dar passinhos pequenos, indo então devagarinho ao encontro da meta que é o balanço, o equilíbrio. E Eu sou mais Feliz, pois eu sei e conheço-me e tenho plena consciência que vai tudo ficar bem,.
